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- 31/03/2025 | edição #0034
31/03/2025 | edição #0034

Quote: “Não estou brincando”, Trump sobre seu possível terceiro mandato (CNN/EUA)
Stat: De 17% para 20% | O imposto estadual ICMS sobre comprinhas internacionais sobe amanhã em 10 estados (Poder360)
Read: The Last Decision by the World’s Leading Thinker on Decisions (WSJ)

VARIAÇÕES SEMANAIS | COTAÇÕES DE DOMINGO, 30/03 (PRÉ-MERCADO)


BRB “resgata” Master: Banco Central vai vetar a aquisição?
O Banco de Brasília anunciou que está adquirindo 58% do Banco Master, em uma transação que deve girar em torno de R$ 2 bilhões e se confirmar como uma das maiores do mercado nos últimos anos — que está dando o que falar no mercado.
O banco está comprando 100% das ações preferenciais e 49% das ações votantes, mantendo o atual CEO do Master, Daniel Vorcaro, no controle do negócio.
Vorcaro passa a ser chairman do Banco Master e ainda terá um assento no Conselhor de Administração do BRB.
A transação está saindo a um valuation de R$ 3,5 bilhões, o que representa 75% do patrimônio líquido do Master, que atualmente é de R$ 4,7 bilhões. O múltiplo é bem próximo ao que é negociado na Bolsa o BRB, que vale R$ 3,6 bilhões.
Apesar de todos os acordos e cláusulas ainda não estarem totalmente definidos e assinados, o que se sabe até agora é que as operações dos bancos continuarão separadas, mas ambas sob um mesmo grupo e uma mesma marca “BRB” — marcando o fim da marca Banco Master.
Isso ainda significa que o movimento vai o unificar o risco e o caixa das operações perante o Banco Central.
O CEO do Master, Daniel Vorcaro, defende que a sinergia está principalmente nas dores de ROE do BRB e de funding do Master:
💰️ Funding: O BRB tem um custo de funding de 89% do CDI, enquanto o Master capta a 120% do CDI;
📈 ROE: O BRB tem um ROE de cerca de 10%, muito pela facilidade de captação via Estado, enquanto o Master teve um ROE de 28% no ano passado.
Os números do BRB depois da compra
Segundo o presidente do BRB, a partir da aquisição, o banco sai de 9 para 15 milhões de clientes, terá mais de R$ 100 bilhões em captações e cerca de R$ 72 bilhões em carteira de crédito — virando a nona maior carteira de crédito do país.
Além disso, o conglomerado terá um PL de R$ 10 bilhões e até R$ 140 bilhões em ativos.
Os números são consideráveis quando pensamos em relevância para o sistema financeiro. O banco passaria a ser classificado como um banco ‘S2’ — segunda prateleira na classificação de importância sistêmica.
Hoje, o BRB está em 23º lugar na lista dos maiores bancos do Brasil considerando o ativo total. Ao unir-se ao Master subiria para o 17º lugar, segundo ranking do Valor Econômico.
Mas tem muitos ‘poréns’ nessa compra…
O Banco Master é conhecidamente como um banco mal visto por boa parte dos principais players da Faria Lima, tendo muitas operações de risco e um perfil de atuação para lá de arriscado.
Para começar o banco tem números impressionantes, tendo crescido 10x o seu patrimônio e 5x sua carteira de crédito desde 2021.
Claro que o crescimento é invejável para qualquer CEO ou gestor. Mas fato é que dificilmente algum player cresce dessa forma. Bom demais para ser verdade?
A principal avenida usada por Vorcaro e cia. foram as captações à base de CDBs arriscados de até 130% ou mesmo 140% do CDI, muito acima dos menos de 100% pagos pelos bancões.
Mais do que isso, o Master tem uma estratégia de comissões de 4% para agente financeiros que vendem seus CDBs a clientes. Os grandes bancos pagam comissão de 0,5%.
O principal chamariz usado pelo banco para garantir o pagamento desses títulos era, claro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), financiado por todo o mercado com o objetivo de evitar a não realização dos pagamentos em caso de algum banco quebrar — cobrindo investimentos até R$ 250 mil.
Acontece que, no último balanço, referente ao 1S de 2024, o total de CDBs emitidos pelo Master era de R$ 40 bilhões. Enquanto isso, o patrimônio do FGC, mais recente, era de R$ 132 bilhões.
Na prática, se o Master passasse por dificuldades para cumprir esses pagamentos, literalmente 1/3 do FGC seria usado para pagar clientes do banco.
Não para por aí… Parte relevante do patrimônio que dá a solidez do banco é composta por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto.
Para completar, a carteira do banco tem um volume acima do comum de empréstimos a empresas em dificuldades financeiras. Isso tudo faz o mercado se perguntar…
“Por quê?”
Por que o BRB entraria pagando tanto por um banco com uma operação conhecidamente, tendo que cobrir boa parte desses futuros pagamentos de CDBs astronômicos?
Basicamente, muitos players já consideram que a aquisição é literalmente a salvação do Master de uma provável e iminente quebra.
O fato da aquisição estar sendo feito por um banco público a tornou ainda mais polêmica, uma vez que significa que é o Distrito Federal, dono do BRB, que arcará com todos esses custos.
Para piorar, não ter o controle do Master significa estar “refém” de um CEO que leva consigo esse perfil de estratégias ousadas — ou controversas.
O presidente não vê exatamente assim…
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, defendeu que a compra permite que o BRB entre em novos segmentos, como mercado de capitais e câmbio, e que os dividendos pagos ao DF aumentarão.
Na mesma linha, o governo do DF, Ibaneis Rocha, disse que o Banco de Brasília elevará os dividendos pagos ao governo do Distrito Federal de R$ 200 milhões para R$ 1 bilhão em 2025.
Depois de todo o bafafá e da aquisição virar o grande assunto do mercado, Paulo Henrique ainda pontuou que precatórios, direitos creditórios relativos a processos judiciais e alguns fundos de investimento em ações de empresas ficarão de fora do deal.
Banco Central vai aprovar?
Ainda que sequer tenha recebido de fato os papéis com o detalhamento da transação, com todos os números e as informações que já saíram, algumas fontes já dizem que o Banco Central deve travar a aquisição.
Executivos e autoridades do setor financeiro discutiram a viabilidade do negócio neste sábado e se mostraram preocupados com a situação da instituição.
Alguns ressaltam que uma compra não foi feita por nenhum banco privado até hoje justamente porque, apesar de aumentar a carteira e escopo, signifcaria um alto risco assumido, que quase obrigatoriamente comprometeria seu balanço.
Em nota, o BC disse que aguarda o pedido formal de avaliação do negócio.
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🏗️ INDÚSTRIA: Brasil e Vietnã em parceria econômica para áreas do comércio e indústria | O secretário do MDIC participou do evento pela expansão do comércio e da melhoria da capacidade industrial dos países. (Gov)
🌾 AGRONEGÓCIO: Global Eggs, da Granja Faria, faz aquisição de US$ 1,1 bi nos EUA | A empresa está se expandindo no país no momento em que os preços de ovos registram alta por conta do surto de gripe aviária. (Pipeline Valor)
🍽️ SERVIÇOS: Custo de transporte de cargas chega a R$ 1,3 trilhão por ano e expõe apagão logístico | Estudo do TCU mostra que país gasta 13% do PIB com transporte de cargas, o dobro da média global (NeoFeed)
🛍️ VAREJO: Fatia do on-line no varejo quase dobra desde a pandemia | Faturamento de empresas do setor com e-commerce chega, em fevereiro, a 17,8% do total, e companhias veem “caminho sem volta”. (Valor)
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✈️ Gol assina compromisso de financiamento de até R$ 1,5 bilhão com investidores (Valor)
🛍️ St. Marche prepara recuperação extrajudicial enquanto negocia venda (Pipeline)
🗼 Eletrobras e União formalizam acordo que amplia participação do governo no comando da empresa (Globo)
🏭 JBS investirá US$ 100 milhões na construção de duas fábricas no Vietnã (Globo Rural)
💰 Argentina vai receber do FMI mais R$ 20 bi, diz governo (Folha)
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Segunda, 31/03: Boletim Focus, divulgação do Superávit Orçamentário; na Colômbia, o Banco Central anunciará decisão de política monetária; na Alemanha, divulgação do IPC.
Terça, 01/04: Na Austrália, decisão da Taxa de Juros (com expectativa de se manter em 4,10%); divulgação do IPC na Zona do Euro; nos EUA, divulgação do PMI Industrial;
Quarta, 02/04: No Brasil, será divulgado os dados de Produção Industrial; nos EUA, divulgação da Variação de Empregos Privados;
Quinta, 03/04: Nos EUA, divulgação do PMI no Setor de Serviços e do Balanço Patrimonial do FED; na Suíça, divulgação do IPC (com expectativa de ficar em 0,1%);
Sexta, 04/04: Divulgação da Balança Comercial do mês; nos EUA, será divulgado o Relatório de Emprego;

Pedro Cerize, Rafael Ferri e as farpas de IBOV x BTC
Na última semana, uma aposta se transformou em uma grande confusão no mercado financeiro. Aqui vai o contexto:
Em 2024, Pedro Cerize (investidor e então conselheiro da Porto), apostou R$ 100 mil que o Ibovespa bateria a valorização do Bitcoin em uma janela de 2 anos.
O perfil anônimo Mises Capital topou o desafio, e as atualizações sobre a aposta eram diárias no X.
Até agora, o Bitcoin estava na frente, com 55% de alta, enquanto o Ibovespa patinava nos 7,6%.
Acontece que o perfil anônimo fez comentários sobre Rafael Ferri, outra figura do mercado financeiro. Ele ameaçou processar o Mises por difamação após ser citado nos posts, e o perfil sumiu do mapa logo depois de se retratar.
Mas Cerize não deixou barato e soltou no X: “Se o Ferri chegar na minha frente, eu soco ele”.
Ferri rebateu, levando a briga pro lado corporativo, questionando se a Porto Seguro apoiava a atitude do conselheiro.
Já encaminhei para meus advogados para tomar medidas legais sobre ameaça de agressão por parte de um conselheiro do grupo @portoseguro
Aproveito para questionar publicamente se a @portoseguro compactua com esse tipo de atitude desequilibrada de um membro do conselho de
— cafecomferri (@cafecomferri)
12:27 PM • Mar 25, 2025
Cerize, que estava no conselho desde 2007, viu o nome da empresa sendo arrastado pra confusão e decidiu pular fora. “Quem ama protege, e eu sou Porto Lover”, disse ao anunciar a renúncia.
Pedro Cerize, renunciou ao cargo de conselheiro independente da Porto Seguro, saindo “no dia em que a ação da Porto atingiu máxima histórica”. Ele deixou o conselho, mas segue como acionista, com um legado de 17 anos na empresa.
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Tem madame tendo retorno melhor e mais consistente que muito gestor por aí… kkk
A bolsa de luxo Birkin, da Hermès, teve uma valorização notável, com um aumento médio anual de valor de 14,2% entre 1980 e 2015, superando o retorno médio anual do S&P 500 de aproximadamente 13%.

(Imagem: Carbon Finance)
Originalmente vendidas por cerca de US$ 9.000, certas bolsas Birkin agora são revendidas por US$ 30.000 ou mais, dependendo de fatores como tamanho, cor, condição e exclusividade.
Essa valorização não é exclusiva desse modelo — apesar dele ser um dos destaques nesse sentido.
Bolsas de outras marcas como Chanel, Goyard e Louis Vuitton também se mostram investimentos alternativos viáveis, muitas vezes superando ativos tradicionais e outros itens colecionáveis nos últimos anos.
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