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- 27/01/2025 | edição #0026
27/01/2025 | edição #0026

Quote: “The stock market is filled with individuals who know the price of everything, but the value of nothing.” — Philip Fisher
Stat of the week: 2,2% | Projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2025 (Banco Mundial)
Read: Can Brazil’s left survive without Luiz Inácio Lula da Silva? (The Economist)

VARIAÇÕES SEMANAIS | COTAÇÕES DE DOMINGO, 26/01/25 (20H)


A China está prestes a movimentar de vez todo o setor de AI americano

Foto: Win McNamee — Getty Images
DeepSeek: guarde esse nome. Um pequeno laboratório chinês está causando uma reviravolta no mundo da inteligência artificial, apresentando um modelo de AI gratuito.
Lançado em dezembro, o modelo do DeepSeek tem se destacado superando o GPT-4 da OpenAI e o Llama 3.1 da Meta em tarefas complexas, como codificação e matemática.
Marc Andreessen, desenvolvedor de software e cofundador de uma dos maiores fundos de VC do mundo, Andreessen Horowitz, disse: "O DeepSeek R1 é um dos avanços mais incríveis e impressionantes que já vi".
Ele ainda pontuou a questão da ferramenta ser open source, ou seja, ter seu código público, o que possibilita o uso dele para a construção de outras ferramentas e o aprimoramento da própria. Veja o tweet de Marc aqui.
Mas o grande ponto para o mercado, além de ser gratuito — logo, mais atrativo para os usuários finais —, é que o custo de produção dessa inteligência foi de menos de US$ 6 milhões e usando chips menos potentes.
Apesar das restrições impostas pelos EUA ao acesso de chips avançados, o DeepSeek usou alternativas econômicas, como os H800s da Nvidia, e técnicas como a “destilação de modelos” para alcançar eficiência impressionante.
Por que tudo isso importa?
O domínio dos EUA na AI depende de investimentos bilionários e tecnologias de ponta construídas pelos grandes players do setor.
O sucesso do DeepSeek, construído com recursos mais modestos, mostra que a China está encontrando formas criativas de superar limitações e desafiar os gigantes do setor.
Mais do que isso, indica que os gastos bilionários das empresas americanas, incluindo OpenAI, Anthropic e as próprias BIG TECHs (Meta, Google, Microsoft, etc.) podem ter sido bem acima do necessário para fazer um trabalho que poderia ter sido mais barato.
Não à toa, durante a madrugada de ontem para hoje, as ações das empresas de tecnologia americanas apresentaram relevantes quedas no pregão pré-market:
NVIDIA: -14%
MICROSOFT: -7%
META: -5%
Enquanto isso, os futuros de ações apontaram para uma queda de 4,4% na Nasdaq com forte presença de tecnologia, enquanto o índice S&P 500 estava definido para cair 2,5%.
Aproximadamente 278.000 contratos futuros do Nasdaq 100 mudaram de mãos até 6h18, horário de Nova York, cerca de 3x mais do que a média de 30 dias para esse horário, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
“As empresas Magnificent Seven têm avaliações elevadas e também uma perspectiva de margem muito alta. Uma IA mais barata pode espremer esses lucros a longo prazo. ...O gasto de capital em IA provavelmente moldará as perspectivas tecnológicas e pode ofuscar resultados robustos.” — Heather Burke, editora do Markets Live da Bloomberg, Londres.
Para se ter uma ideia, o chatbot da empresa chinesa, rival do ChatGPT da OpenAI, subiu ao topo da lista de downloads da App Store da Apple nos EUA no fim de semana.

🇨🇳 O sucesso do DeepSeek está gerando especulações de que a OpenAI, uma das gigantes do setor, estaria preocupada com a competição dos modelos de código aberto.
Inclusive, já circulam rumores de que a empresa já está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para restringir o desenvolvimento e a liberação desses modelos, alegando riscos de alinhamento e potenciais ameaças à humanidade.
Outras versões e visões dessa história…
1) Há quem diga, a exemplo do CEO da AI-healthtech americana Curai Health que os números apresentados são mentirosos: “A DeepSeek é uma campanha nacional de guerra psicológica e econômica do Partido Comunista Chinês para tornar a IA menos lucrativa nos EUA. Eles estão mentindo sobre custos baixos para justificar a definição de preços baixos." Veja o tweet dele (que recebeu uma community note) aqui se quiser.
2) Enquanto isso, Yann LeCun, cientista chefe de IA da Meta, argumentou que a ascensão da DeepSeek não deve ser vista como "a China ultrapassando os Estados Unidos", mas como "código aberto superando modelos proprietários". Abre aspas: "A DeepSeek se beneficia da pesquisa aberta e do código aberto (como PyTorch e Llama da Meta). Eles tiveram novas ideias e as construíram com base na pesquisa de outras pessoas. O trabalho deles é público e de código aberto, então todos podem se beneficiar dele. Esse é o poder da pesquisa aberta e do código aberto". Veja o post dele aqui se quiser.

Segunda, 27/01: Boletim FOCUS, divulgação da Receita Tributária Federal (Dez);
Terça, 28/01: Nos EUA, divulgação do índice de confiança do consumidor;
(SUPER) Quarta, 29/01: Decisão dos juros tanto nos Estados Unidos quantos por aqui (Banco Central deve subir 1p.p para 13,75% aa, como já sinalizou na última reunião); Microsoft, Tesla e Meta divugam resultados do 4T24;
Quinta, 30/01: Será a vez do Banco Central Europeu também decidir sobre a taxa de juros do bloco (deve vir um corte de 0,25pp); Feriado na China (Ano Novo Chinês); PIB Alemanha, Portugal, França e Zona do Euro;
Sexta, 31/01: Divulgação do Índice Geral de Preços (IGP-M) e dos dados do CAGED (incluindo Taxa de Desemprego); Além disso, dados de Dívida e Superávit Orçamentário relativos a Dezembro;

A posse mais rica da história dos EUA?

Essa pode parecer uma foto qualquer da posse de Trump, mas nela estão os 3 homens mais ricos do mundo. Juntos eles têm US$ 833 bilhões de patrimônio. Esse número é tão grande que:
Se fossem um país, eles estariam entre as 20 maiores economias do mundo;
Ao todo, as empresas comandadas pelos CEOs da foto somam uma receita anual de cerca de US$ 1,6 trilhão.
Eles poderiam comprar as empresas mais valiosas do Brasil, como Nubank, Mercado Livre, Itaú Unibanco, Vale, Petrobras.
Na verdade, se eles comprassem as 10 maiores empresas do nosso país, ainda sobraria um "troco" de US$ 300 bi.
Na prática, esses quatro homens — incluindo o CEO do Google — influenciam quase 5 bilhões de pessoas todos os dias, e têm mais dinheiro que metade do planeta somada.
O mais interessante é pensar que as empresas dos CEOs que compareceram na posse de Trump — que são Google, Meta, X, TikTok, Amazon — não possuem mais que 30 anos de existência.
Essa foto foi tirada na posse de Trump, o evento mais comentado da semana, e podemos dizer que o maior evento do ano até agora e, possivelmente, a posse presidencial mais rica da história do mundo.

🍽️ Serviços: Genoa vê saída estrutural de dólares por setor de serviços | Mesmo que as exportações cresçam, a expectativa é que o montante de capital a entrar no país não seja suficiente para contrapor uma saída de recursos mais estrutural (Valor)
🌾 Agronegócio: Falta de chuvas ameaça nova frustração de safra no Rio Grande do Sul | Para a soja, pesquisa da FecoAgro/RS estima quebra de 21% nesta safra, com produtividade de 47,8 sacos por hectare (Agro Estadão)
🛍️ Varejo: O faturamento do setor de varejo nacional caiu 1% na comparação ano contra ano | A queda indica uma temporada de compras pré-Natal menos aquecida; o fluxo de visitação dos shoppings em dezembro registrou queda de 4% e as vendas recuaram 6%. (Estadão via UOL)
🏗️ Indústria: Segundo semestre de 2024 foi melhor para a indústria pela percepção dos players | Um levantamento feito pela Fiesp indicou que 45,2% das 290 indústrias pesquisadas consideraram que o 2T de 2024 foi melhor em comparação ao mesmo período do ano anterior. Outras 27,9% afirmaram que a situação não mudou e 26,9% apontaram uma piora. (Agência Brasil)

O efeito Trump no mercado cripto

Imagem: Coda Story
Com uma semana de mandato, a primeira grande aposta de Donald Trump tem sido em criptoativos, que têm surtido efeitos colaterais no mercado financeiro.
Dias antes de sua posse, Trump decidiu lançar sua memecoin, a $TRUMP.
Cotada a praticamente US$ 7 no primeiro dia, na posse ela chegou a bater US$ 75, e movimentou um valor de trilhões de dólares, sendo a criptomoeda que cresceu mais rápido desde o lançamento.

O Bitcoin não ficou para trás: desde a posse do POTUS, a moeda bateu consecutivos recordes de preço, ultrapassando novamente os US$ 100k.
O principal motivo para o crescimento do Bitcoin é Trump ter dito que pretende criar uma reserva da moeda para o país.
Além disso, o POTUS disse que pretende comprar pelo menos 100 milhões de bitcoins — a única pessoa que sabe-se que tem esse valor atualmente é Satoshi, o criador misterioso da criptomoeda.
Um site financeiro americano disse que a probabilidade do movimento começar nos 100 primeiros dias de mandato era de 30%.
A ideia do Trump parecer ser fazer dívidas para comprar uma moeda digital, com a aposta de, no futuro, o retorno dessa reserva pagar a dívida e ainda dar lucros ao país.
O tamanho do mercado do Bitcoin já ultrapassou 3 trilhões de dólares, e com o crescimento, teve sua volatilidade reduzida consideravelmente em relação a alguns anos atrás. O que parecia uma especulação deixou de ser questão de “se”, mas de “quando”.


(@financegoldenera)
A temporada de ski dos Wall Streeters (e Faria Limers) está oficialmente acontecendo. Classic never gets old.
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