24/02/2025 | edição #0029

Quote: “At 94, it won’t be long before Greg Abel replaces me as CEO and will be writing the annual letters.” — Warren Buffet's at Annual Letter to Berkshire Hathaway shareholders

Stat of the week: R$ 108,2 bilhões | Lucro dos quatro maiores bancos brasileiros em 2024

Read: Wall Street’s New Money Is Shaking Up the Ranks of the Superwealthy (Bloomberg)

VARIAÇÕES SEMANAIS | COTAÇÕES PRÉ-MERCADO

Sob pressão para cortar gastos, o governo cortou o gasto que evita inflação

A foto acima é de julho de 2024. No evento, há poucos meses, o governo promoveu o lançamento do Plano Safra 2024/2025, anunciando o maior investimento (nominal) da história no setor agro do país.

O valor foi de R$ 400,59 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, sendo:

  • R$ 293,29 bilhões (+8% YoY) para custeio e comercialização; e

  • R$ 107,3 bilhões (+16,5% YoY) para investimentos.

Além disso, houve outros R$ 108 bilhões em LCA — totalizando R$ 508,59 bilhões no incentivo como um todo.

Para se ter uma ideia, em 23/24, foram R$ 400 bilhões destinados ao Plano Safra, ou seja, houve um aumento de 10% em relação aos recursos programados no ano-safra anterior.

Corta para fevereiro de 2025 (7 meses depois)

Sem muito alarde, o Ministério da Fazenda soltou um Ofício Circular anunciando a suspensão dos subsídios em linhas de crédito para produtores rurais. A medida já vale a partir de hoje e não tem prazo definido.

O anúncio pegou de surpresa um dos maiores setores da economia brasileira e, inicialmente, não tinha sequer uma previsão de prazo.

O que motivou a suspensão? 🌾

Com o aumento das taxas de juros praticadas pelo mercado, muito pela desconfiança fiscal, o governo começou a ter um forte aumento dos custos de equalização de taxa de juros nesses financiamentos.

  • Agora, a decisão deve impactar a boa parte de produtos que dependem de crédito subsidiado para custear operações, investimentos e expansão da produção agrícola.

Na prática, o agro vai passar a pegar crédito a taxas mais altas para manter suas operações. No fim do dia, vai ficar mais caro produzir, o que deve impactar na alta de preços de produtos que vêm do campo — principalmente alimentos.

O impacto na prática e a pressão do setor

A pressão das associações e players do setor veio rápido. Assim como a resposta a essa pressão, fazendo a história ganhar um novo capítulo durante o fim de semana.

O desenrolar da situação: Para evitar uma possível interpretação de “pedalada”, por liberação de recursos não previstos no orçamento, o governo decidiu recorrer ao crédito extraordinário — que passa por fora do arcabouço fiscal.

Enquanto o governo garante que os financiamentos serão retomados já na próxima semana, o agro segue desconfiado das intenções e dos planos do Lula III para o setor.

Só em 2024, o agronegócio correspondeu a 22% do PIB do Brasil, porcentagem que só reforça como decisões sobre crédito rural afetam não só os preços nas prateleiras, mas também toda a economia do país.

Segundo O Globo, auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que o episódio evidenciou mais uma falha de comunicação do Ministério da Fazenda, como no caso da medida da Receita Federal que afetou a credibilidade do Pix.

🇩🇪 Eleições na Alemanha tem vitória de partido conservador que comemoram, enquanto extrema-direita desfruta de resultado recorde (BBC)

🪙 A exchange cripto Bybit teve uma de suas carteiras hackeada, um prejuízo estimado de US$ 1,46 bilhão — o maior roubo já registrado na indústria (Elliptic)

🛤️ Vale (VALE3) reverte lucro em prejuízo de US$ 694 milhões no 4º tri (Estadão)

🛒 St. Marche pede proteção contra credores para negociar R$ 639 milhões em dívidas (InvestNews)

🏦 BC teve ganho de R$ 10,266 bi com swaps em fevereiro até dia 14 (BP Money)

Segunda, 24/02: Boletim FOCUS; Divulgação dos Números de Arrecadação de Janeiro; Divulgação do IPC na Zona do Euro; no Japão, feriado do Aniversário do Imperador;

Terça, 25/02: Número final do PIB da Alemanha em 2024; Divulgação do IPC do Japão; Divulgação do IPCA-15 pelo IBGE (Com expectativa acima de 1%, com a recomposição do preço de energia após o fim do bônus de Itaipu);

Quarta, 26/02: Ministério do Trabalha apresenta os números do Cadastro de Emprego e Desemprego (CAGED) de Janeiro; Fluxo Cambial Estrangeiro;

Quinta, 27/02: Banco Central divulga os Dados do Setor Externo; Divulgação do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M); Resultados do Investimento Estrangeiro Direto, das Transações Correntes e da Taxa de Desemprego; Atas da Reunião de Política Monetária do Banco Central Europeu e Divulgação do PIB dos EUA;

Sexta, 28/02: Divulgação dos dados trimestrais do Mercado de Trabalho pelo IBGE; Dados da Inflação e do Mercado de Trabalho na Alemanha; No Brasil, Divulgação dos números do Balanço Orçamentário;

Sem dar mais detalhes, Buffett reduz exposição a ações: “'Muitas vezes, nada parece atraente”

(Bloomberg Businessweek Magazine, March 8, 2010)

A gestora do reconhecidamente maior investidor do mundo fechou o ano passado com nada menos de US$ 334 bilhões em caixa, um recorde.

Boa parte disso veio de posições parcialmente liquidadas ao longo do ano, incluindo os longos investimentos em Apple e Bank of America — que falamos por aqui na época.

Só para ter uma noção, a Berkshire tem mais caixa que o Brasil tem de reservas.

Ainda assim, Buffett não abriu muito o jogo dos motivos de tanto dinheiro não estar alocado em ações. Naturalmente, as especulações do que ele está vendo têm surgido aos montes.

Na tradicional carta anual aos acionistas, divulgada no sábado, Buffett pontuou que a maior parte do dinheiro da Berkshire continuará sendo investida em ações, mas admitiu que oportunidades de compra têm sido escassas.

“Muitas vezes, nada parece atraente; muito raramente nos encontramos mergulhados em oportunidades”, escreveu o bilionário, sugerindo que a alocação de capital da empresa segue um ritmo cuidadoso.

PS: Momento marcante. Na carta, Buffett, que está com 94 anos, reconheceu que o atual VP, Greg Abel, deve assumir a liderança da empresa em breve. “Não demorará muito para que Greg me substitua como CEO e passe a escrever as cartas anuais”.

4 gráficos que retratam que a economia brasileira em desaceleração

Os últimos números que saíram de 2024 sobre a situação econômica do país confirmam o retrato de desaceleração da atividade econômica.

Em dezembro, o IBGE apontou queda em serviços, comércio e indústria. Para o 4T, os analistas trabalham com a expectativa de que o resultado do PIB seja pior do que o observado nos três meses anteriores, quando o País cresceu 0,9%.

Os números de três dos principais setores do país não tiveram um bom mês de dezembro. Veja:

GRÁFICO #01

Com dados tão negativos, o IBC-Br, conhecido como prévia do PIB, recuou 0,73% em dezembro — a expectativa era de uma queda de 0,4%, segundo o Projeções Broadcast. No ano, o indicador fechou crescendo 3,8%. Veja:

GRÁFICO #02

O número final do PIB de 2024 será divulgado pelo IBGE em 7 de março. A avaliação dos analistas é a de que a economia brasileira deve ter crescido 3,5% no ano passado.

Enquanto isso, olhando para frente, a expectativa é que 2025 seja marcado por uma desaceleração, sobretudo no segundo semestre. Em um relatório recente, o Santander disse que, mesmo com os sinais contrários, acredita que ainda haverá aceleração no resultado do primeiro trimestre”.

📎 Para 2025, o Santander estima um avanço do PIB de 1,8%. No relatório Focus da semana passada, os analistas consultados esperavam um crescimento econômico semelhante, de 2,01%. Em breve, o Focus de hoje vai indicar se e quanto essa projeção mudou.

GRÁFICO #03

Para fechar, principalmente os juros mais altos e a inflação persistente têm impactado na confiança do consumidor. Em outras palavras, o brasileiro médio tem ficado mais pessimista com a economia do País.

Tanto que o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo segundo mês consecutivo, tendo uma queda acumulada de oito pontos em dezembro+janeiro. Agora ele está em 86,2 pontos. Veja:

GRÁFICO #04

(Imagem: Rio Open | Reprodução)

Brasil no topo. Com a saída de todos os brasileiros nas primeiras rodadas do simples, Rafael Matos e Marcelo Melo fizeram a alegria da arquibancada da Quadra Guga Kuerten — e do Brasil todo — conquistando as duplas do Rio Open.

Rafa tornou-se bicampeão do torneio, enquanto Marcelo, mesmo tendo sido #1 e campeão de Grand Slams, ficou extremamente emocionado com o título em casa. Veja a declaração dele na entrevista do título.

DOLLAR BILL // THAT'S ALL, FOLKS

BECAUSE MONEY MATTERS. A leitura semanal obrigatória para gestores, traders e CEOs. Toda segunda-feira na sua caixa de entrada.