17/02/2025 | edição #0028

Quote: “In investing, what is comfortable is rarely profitable.” — Robert Arnott

Stat of the week: 2,2% | A quantidade que o PIB do Brasil representa na economia global (FMI)

Read: As Seis Lições — Ludwig von Mises (Acessar pdf)

VARIAÇÕES SEMANAIS | COTAÇÕES DE DOMINGO, 16/02/25 (18h)

O baixo IPCA de janeiro foi uma bela de uma exceção

O IBGE divulgou recentemente que o IPCA de janeiro foi de uma alta de 0,16%, o menor para o período desde o Plano Real em 1994.

  • A informação foi bem contestada por parte do mercado e até da população, com críticas à gestão do Marcio Pochmann, que sofre forte pressão interna — incluindo saídas de diretores.

De qualquer maneira, esse foi o número oficial para o índice, que acaba refletindo em diversos setores da economia que são indexados ao IPCA. Para se ter uma ideia, vários estados tiveram deflação, ainda segundo o IBGE.

(Dados: IBGE | Cada estado tem um peso no IPCA do país; ou seja, o índice nacional não é a média aritmética exata de todos os estados)

Evitando as teorias sobre manipulação do número, uma thread do deputado estadual de São Paulo, Leonardo Siqueira, fez um breakdown do indicador de janeiro, mostrando que a variação foi fortemente maquiada, por conta de um movimento do governo.

Explicando…

O conceito do IPCA é juntar as linhas de custos da família média brasileira e formar uma cesta de consumo com todos eles.

Na prática, as variações dos preços de diversos elementos são analisadas — incluindo alimentação, vestuário, transportes etc.

Decompondo todos esses grupos de custos que formam essa "cesta" de produtos, em janeiro, o grupo que mais pesou na alta foi o de transportes, que teve uma variação de +1,3%, impactados pelos reajustes de ônibus e metrô do início do ano.

Por outro lado, o grupo que mais puxou o índice do mês para baixo foi o da habitação, que registrou uma queda de 3,08%.

Como cada grupo tem um peso nessa “cesta” e só o de habitação representa 15% do IPCA, sozinho, ele foi responsável pela queda da inflação em −0,46 ponto percentual.

(Tabela: Poder360)

Se você está se perguntando por que ela caiu tanto, a sub-divisão do grupo, que mostra as categorias dentro dele, indica a resposta.

A energia elétrica residencial, que está inserida como um item dentro do grupo, caiu consideráveis 14,21%, sendo o item com maior queda.

Recentemente, Brasil e Paraguai fizeram um acordo que fez o governo federal aportar US$ 121 milhões a mais, o que dá cerca de R$ 700 milhões, para compensar um erro de cálculo na Usina Hidrelétrica de Itaipu — a maior fonte de energia do nosso país.

  • Esse custo a mais para o Estado seria repassado para a população, o que levaria a um aumento de 5,99% no preço da energia.

“Ué? Mas por que então caiu?” É aqui que a tal maquiagem — entre aspas — do índice de janeiro entra. E o motivo chama-se Bônus de Itaipu.

Esse bônus foi criado por uma lei de 2002, permitindo que uma parte do lucro do Estado brasileiro com a operação de Itaipu fosse usada para dar desconto na conta de luz para as propriedades que consomem menos de 350kW/h, das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (que são abastecidas pela Usina).

  • Ele nunca tinha sido usado antes, apenas em 2023 e, agora, em janeiro de 2025.

Na prática, o governo decidiu pegar cerca de R$ 1,2 bilhão que estava em caixa e basicamente “investir” na energia elétrica para evitar o aumento no custo da energia — e consequentemente na conta de luz das casas e empresas.

#️⃣ Em números: O governo deu desconto de R$ 17 em média para 78 milhões de domicílios do Brasil. Por isso, a energia que deveria ter subido, caiu.

Falado tudo isso… Quanto variaria a conta de luz sem o Bônus de Itaipu então? 💵

A energia elétrica representa 3,8% da inflação como um todo. Basta refazer os cálculos considerando o que realmente deveria ter acontecido com a conta de luz.

Se a energia tivesse ficado estável, ao invés de ter caído 14,2%, a inflação de janeiro teria sido 0,71% e não 0,16%. E o IPCA acumulado de 12 meses estaria em 6,01%, e não em 5,46%.

Se a energia tivesse subido 5,99%, como esperado, a inflação de janeiro teria sido 0,94%, e o IPCA acumulado saltaria para 6,24%.

O que o governo fez é errado?

Não. Longe disso. Até porque o governo nada mais está fazendo que direcionar o capital gerado com uma operação pública para o bolso do cidadão, mesmo que de maneira indireta.

  • Inclusive, o diretor da Aneel defendeu que a solução apresentada pelo governo para uso da verba foi “a melhor possível”.

Ainda assim, fato é que, quando o caixa do Bônus de Itaipu acabar, o impacto real da variação da energia elétrica chegará às contas de luz e, consequentemente, impactará na inflação do país.

Conteúdo baseado na thread de @LeoSiqueira, apenas com cunho técnico

TCU aponta superfaturamento de mais de R$ 12 milhões em refinaria da Petrobras (Gazeta do Povo)

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Sherwin-Williams vai comprar tintas Suvinil da Basf no Brasil por R$ 6,56 bi (InfoMoney)

Segunda, 17/02: Boletim Focus; Divulgação do Índice Geral de Preços (IGP-10) e Divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR); Aniversário de Washington (EUA);

Terça, 18/02: No Japão e Argentina, divulgação da Balança Comercial;

Quarta, 19/02: Divulgação do IPC no Reino Unido e fluxo cambial estrangeiro no Brasil; Nos EUA, publicação da ata do FOMC;

Quinta, 20/02: Divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP) na Alemanha; Nos EUA, dados dos pedidos iniciais por seguro-desemprego;

Sexta, 21/02: Na Zona do Euro, será divulgado os dados do PMI de Serviços; No Brasil, dados da Receita Tributária Federal;

As famosas kitnets viraram studios e simplesmente bombaram — inclusive na Faria Lima. Para se ter uma ideia, eles já representam 80% de todas as vendas de unidades residenciais nos últimos 12 meses em São Paulo.

Os números são de um estudo feito pelo Goldman Sachs.

Gráfico #01

Gráfico #02

Quadra de Tênis em Sardenha, na Itália. No verão, a Costa Esmeralda da cidade se transforma no ponto de encontro e no refúgio dos mi e bilionários da Europa.

DOLLAR BILL // THAT'S ALL, FOLKS

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