10/03/2025 | edição #0031

Quote: “É mais um mito do Brasil, de que dividendos não pagam impostos. Dividendo é o lucro distribuído, que já pagou o imposto.” — Marcos Lisboa

Read: What the Dot-Com Bust Can Tell Us About Today’s AI Boom (WSJ)

VARIAÇÕES SEMANAIS | COTAÇÕES DE DOMINGO, 09/03 (PRÉ-MERCADO)

Caixa da empresa em Bitcoin: tendência promissora ou loucura?

Cashback com Bitcoin. Na última semana, o CEO da Méliuz (CASH3), Israel Salmen, anunciou que o Conselho da empresa aprovou que um aporte de 10% do seu caixa em Bitcoin.

  • Em números, a companhia adquiriu mais de US$ 4,1 milhões na criptomoeda, a um preço médio de US$ 90.296. (A moeda caiu desde então, ou seja, esse valor está um pouco menor.)

Com essa estratégia, a Méliuz se tornou a primeira empresa brasileira listada a ter um investimento desse nível em bitcoins.

A companhia famosa pelos cashbacks em lojas ainda criou um “comitê estratégico de bitcoin”, para analisar se é viável ou não aumentar o seu investimento na criptomoeda ao longo do tempo.

Segundo Israel Salmen, chairman e o maior acionista da Méliuz:

“É uma alternativa mais inteligente para a aplicação do nosso caixa. (…) estamos vendo nessa estratégia uma forma de deixar de depender do real e aplicar no bitcoin, que rendeu 77% ao ano em dólar nos últimos dez anos.”

Ao que tudo indica, o mercado fez a leitura que a estratégia está certa: as ações da empresa dispararam mais de 20%, uma das maiores altas da bolsa brasileira no pregão pós-anúncio.

Olhando em outras janelas:

  • Nos últimos 5 dias, a empresa teve uma alta de 6%;

  • No último mês, a empresa teve uma queda de 9,5%;

  • Desde o início do ano, a empresa teve uma alta de 31,5%;

  • Nos últimos 6 meses, a empresa teve uma queda de 15,5%;

  • Nos últimos 12 meses, a empresa teve uma queda de 57,4%;

  • Desde o seu pico em junho de 2023, teve uma queda de 61,9%;

  • Desde que abriu capital em novembro de 2020, teve uma alta de 2.100%.

Importando a Estratégia

Apesar de ser uma novidade por aqui, algumas empresas começaram a fazer isso ao redor do mundo — a maioria por ter CEO ou o business em si adeptos à descentralização.

O principal exemplo, e mais midiático, é a MicroStrategy, que tem quase 500 mil bitcoins no caixa, o que dá aproximadamente US$ 45 bilhões.

A MicroStrategy era uma empresa de software “mediana” nos EUA, valendo algo entre US$ 1 e 2 bi.

Desde 2020, o CEO passou a comprar Bitcoin com o caixa da companhia, algo não tão comum para o financeiro de uma empresa, pela volatilidade da moeda.

A estratégia começou a dar tão certo que a empresa passou a emitir ações e gerar dívida para comprar mais, mais e mais bitcoin.

Agora, ela tem “em caixa” centenas de milhares de bitcoins, avaliados em cerca de US$ 30 bilhões, sendo a maior proprietária corporativa da criptomoeda no planeta.

  • Em outubro do ano passado, enquanto a moeda subiu 47%, as ações da companhia subiram 97%, valendo mais de US$ 100 bilhões e fazendo a empresa chegar a uma das 100 maiores do país — ao nível de Boeing, Nike, Starbucks etc.

Para se ter uma ideia, com a alta da moeda no final do ano passado, influenciada pela eleição de Trump nos EUA, a companhia chegou a faturar impressionantes US$ 500M por dia graças à valorização do bitcoin — quando a cripto estava próxima de bater US$ 100k.

Agora, que a moeda perdeu cerca de 10-15% em valor, as ações da empresa também caíram. Ainda assim, na janela dos últimos 6 meses, a empresa teve uma alta de quase 100%, em dólares.

O movimento de ajuste seguiu o grande receio de boa parte de Wall Street: uma possível queda do valor do bitcoin refletir na queda das ações da empresa.

Fora isso, ainda há o receio da empresa começar a vender bitcoin com as ações caindo para conseguir pagar parte dos US$ 4,8 bilhões que tem em dívidas.

Teve mais… 🇺🇸

Também na semana passada, na quinta-feira à noite, o governo Trump anunciou que vai começar a criar uma reserva de Bitcoin do governo americano. Na sexta, o presidente teve um jantar com grandes players do setor no qual formalizou a decisão.

“Sobe no boato, cai no fato?” Apesar da notícia, a cripto caiu nos últimos dias da semana. Isso porque o anúncio oficial foi que o governo criaria uma reserva com 200.000 bitcoins (US$ 17,5 bilhões), mas que já foram pegos pela Inteligência Americana em golpes, fraudes etc — sem uma transferência imediata de valor da reserva do governo em ouro ou dólar para cripto.

Ainda assim, fato é que essa é uma possibilidade real, que, se acontecer, pode ser seguida por outros países. Da mesma forma que outras empresas podem seguir o movimento de Méliuz e MicroStrategy.

No fim do dia, se esses cenários se desenharem, a demanda pela moeda só tende a aumentar, e o valor da cripto, consequentemente, também.

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Segunda, 10/03: Boletim FOCUS; Divulgação do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI); Divulgação do PIB do Japão (previsto em 0,7%);

Terça, 11/03: Nos EUA, divulgação do Relatório JOLTS (sobre abertura de vagas de trabalho no país); No Brasil, dados de Produção Industrial;

Quarta, 12/03: Divulgação do IPCA acumulado; Nos EUA, divulgação do IPC EUA anual (previsto em 2,9%); No Canadá, decisão da Taxa de Juros;

Quinta, 13/03: Nos EUA, divulgação do IPP e dos dados de Pedidos por Seguro-Desemprego, Balanço Patrimonial do FED; No Brasil, dados anuais do Crescimentos do Setor de Serviços;

Sexta, 14/03: Resultados do IPC da Alemanha; No Reino Unido, divulgação do PIB; No Brasil, Divulgação do IPP e Vendas no Varejo.

Replicar o mercado seria mais simples, caro gestor

Esse estudo do JP Morgan de alguns anos — mas praticamente atemporal —, mostrou que, de 2002 a 2021, o S&P 500 teve uma alta anualizada de 9,5%.

Em contrapartida, o investidor médio americano teve uma performance anual de 3,6%. Como comparação, a inflação anual do período foi 2,2%. Veja:

O óbvio: replicar o mercado, além de mais simples, provavelmente trará maiores retornos do que a busca incansável por um alfa.

Se a gente adicionasse a opção mercados emergentes no gráfico, o investidor médio ficaria com ainda mais vergonha.

O MSCI Emergentes Markets teve uma margem bastante considerável em relação a qualquer outro exposto acima. Leia esse trecho:

Outro gráfico curioso…

Apesar de também não ser tão recente esse, esse gráfico pode ser considerada por alguns como a “resposta” para a tese de “Cash is King” nos EUA.

Teoricamente, segundo ele, a estratégia não compensa. Dollar-cost Averaging (DCA) traz maiores retornos que o “Buy the Dip” — comparando aportes recorrentes versus manter caixa e comprar na baixa.

Agora, para travar sua cabeça de vez

Se você está vendo esse texto como alguma sugestão de tese ou, pior ainda, de um investimento específico — como S&P 500, por exemplo —, precisamos alinhar dois pontos:

  1. Retornos passados não são garantias de retornos futuros;

  2. O tweet abaixo.

O ouro superou o principal índice americano em seis dos últimos sete anos. Tinha noção disso?

DOLLAR BILL // THAT'S ALL, FOLKS

BECAUSE MONEY MATTERS. A leitura semanal obrigatória para gestores, traders e CEOs. Toda segunda-feira na sua caixa de entrada.